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Quem é Leonardo Kauer?
Sou um advogado, de 35 anos, casado com a advogada Lúcia Helena, pai de João Pedro e Betina, graduado em direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em direitos humanos pela mesma instituição. Milito na advocacia privada nas áreas de direito público.
Por que a advocacia?
É preciso responder antes "por que o direito?". O direito nos possibilita compreender o mundo, a sociedade em que vivemos. A advocacia é uma profissão que requer sensibilidade, conhecimento, organização e, sobretudo, muita dedicação. É apaixonante porque por meio dela intervimos, de forma
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qualificada, nessa
realidade, para a realização da justiça, e porque isso implica
necessariamente assumir uma posição, de onde se fala, em favor de quem se fala.
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Que dificuldades enfrentaste no início do teu exercício profissional?
De uma maneira geral, o bacharel em direito não possui formação que o auxilie a se tornar um empreendedor. Essa é uma carência que deve ser suprida pelas próprias faculdades e pela Ordem, com ações específicas. No meu caso, que não tinha parentes advogados, tive de constituir minha própria clientela, administrar uma estrutura e torna-la produtiva, me posicionar em um mercado extremamente competitivo, ao passo em que a precarização da advocacia ganhava contornos mais e mais acentuados. Não me considero exatamente um desbravador, mas acredito que a OAB poderia, e ainda pode, auxiliar, de fato, na inserção dos novos profissionais no mercado da advocacia.
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Como surgiu o movimento "Muda OAB"?
O movimento "Muda OAB" surgiu em 2003, para mudar a Ordem, a partir da compreensão que a entidade somente poderia cumprir as suas finalidades institucionais – defender as prerrogativas de nosso exercício profissional, bem assim propugnar pela afirmação do Estado Democrático de Direito e os direitos humanos – à medida que o conjunto de advogados e advogadas nela pudesse se expressar e se fazer representar. Isso evidentemente implica uma ruptura com o pensamento autocrático daqueles que têm se alternado na administração da Ordem.
Como avalias as últimas gestões da OAB/RS?
Sob o ponto de vista da dem ocracia e da pluralidade, que são os pressupostos da transparência e da participação, nada há de novo. Não existe democracia efetiva na OAB ou respeito aos princípios republicanos, ela é meramente formal. É a democracia da República Velha.
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E a atual gestão?
Suponho que seja proba, mas não passo dessa suposição. Não digo tampouco que não o seja. O que ocorre é que, se eu efetivamente não posso controlá-la, seria leviana qualquer afirmação em sentido diverso. Digo, com
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todas as letras, que não me contento, tão-somente, com balanços, balancetes, prestação de contas informais ou auditorias privadas. Quero um controle cuja legitimidade seja inquestionável.
Como assim?
O suposto ajuste fiscal e a realização de obras são insuficientes. A grandeza da Ordem, reconhecida na nossa história, não reside em um prédio bonito. Ela está relacionada, sim, as suas finalidades institucionais. Nenhuma obra de maior efeito que seja substitui a democracia, ou tem sentido na sua ausência. Nossa maior obra será abrir a OAB aos advogados e advogadas, para que possam nela se expressar e possam ser orgulhar do seu passado e do seu presente.
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